18 de mai de 2015

De DISPERSOS a DI VERSOS - uma rota singular


       No embalo das marés, foi quase um ano e meio em que estivemos à deriva. Silvana, a comediante do grupo, repetia que seria coerente mudarmos o nosso nome para DISPERSOS. Primeiro, fomos surpreendidos pela saída de Sarah e Mara Vanessa que passaram a morar em outros lugares. Depois, Verusa e Eurídice anunciaram um afastamento. Se a falta de um um único membro de um grupo exige toda uma reorganização interna, imaginem o que significou para nós a saída de 50% do nosso! 

     Tentando traçar nova rota, planejamos um recital com o tema AMOR E SEXUALIDADE. Demoramos mais tempo na pesquisa do que em qualquer oportunidade anterior e os ensaios eram sempre esvaziados. Poesia é ritmo e o nosso barco navegava em evidente descompasso. Assim, 2014 se passou sem que fizéssemos uma única apresentação. Esse ano foi tão crítico que chegamos a recusar convite para uma participação nas comemorações dos 100 anos do nascimento de Irmã Dulce. Pior do que isso, Marina se casou e nos pediu de presente que falássemos poesia na cerimônia. Nenhum de nós falou. Resistindo aos ventos, fizemos a nossa reunião natalina, quando nos confraternizamos e trocamos livros. A reunião não só foi improvisada como o clima era o menos vibrante, alegre e caloroso de todos os 6 anos. Nela houve venda de cadernos personalizados, Esther teve dor de cabeça e alguns esqueceram de levar o livro para a brincadeira.  Sem dúvida, uma comemoração singular!


     Quando Silvana completou 50 anos e nos pediu para falar seus poemas durante a comemoração, no sábado passado, não resistimos. Só fomos eu e Fátima. Amamos! Ela falou um poeminha erótico de Silvana e tocou pandeiro. Eu fiz uma aula de poesia de brincadeira e ainda cantei. Também na festa, houve as ausências irreparáveis de Jina, Luciano, Marina e Esther. No entanto, Eurídice e Verusa estavam presentes e foram intimadas a apresentar um poema qualquer. Sugeri a Eurídice que falasse o mais conhecido de sua autoria e Verusa se decidiu por uma pérola que a própria aniversariante havia extraído em suas pescarias. Foi aí que soubemos que já estávamos no programa das comemorações do dia do Assistente Social, do HGE, nessa terça. Finalmente, ao que parece, o ponteiro da bússola tende a apontar para o norte: o signo que escolhemos para o barquinho no qual temos navegado juntos sobre o mar das palavras.  

10 de ago de 2014

DE FILHAS PARA O MAIOR DOS PAIS

FILHINHA
Adélia Prado

Deus não é severo mais,
suas rugas, sua boca vincada
são marcas de expressão
de tanto sorrir pra mim.
Me chama a audiências privadas,
me trata por Lucilinda,
só me proíbe coisas
visando meu próprio bem.
Quando o passeio 
é à borda de precipícios,
me dá sua mão enorme.
Eu não sou órfã mais não.





BERÇÁRIO
                                                                                        Eliana Mara Chiossi

Dizem que sou filha de Deus. Acho que fui adotada. Deus me criou porque encontrou uma cesta na frente da sua casa e não ficava bem, para um Deus, deixar aquela menina gulosa berrando.
Dizem que sou a imagem e semelhança de Deus. Acho que fui adotada.Deus pariu uma menina. E no hospital, trocaram as etiquetas de identificação. Deus me viu crescendo, me olhava sempre com olhar perplexo: de onde veio essa menina estranha, que não se parece comigo?
Dizem que Deus é amor. Então, sou filha de Deus. Porque ainda quando tremo, ainda que os inimigos cuspam na minha face branda, ainda que haja dias em que a vida pouco me interessa, eu sou amor também.
Mas Deus perdoa, Deus compreende, Deus tolera, Deus tem uma paciência de Jó. Acho que fui adotada.



25 de mai de 2014

CANTANDO A ATUALIDADE

A atualidade de algumas obras de arte é algo admirável. Como um visionário, o poeta, professor e letrista baiano Ildásio Tavares (1940-2010) escreveu sobre as rotinas e desventuras do homem cotidiano. As palavras do poema "Canto do Homem Cotidiano" são um exemplo maravilhoso dessa permanência da literatura para além dos tempos.O poema foi escrito há cerca de 37 anos. Na noite de ontem, pela terceira vez, através de um recital com título igual ao do poema, pudemos constatar esse fato.


Confira o poema e a biografia do poeta no blog abaixo:

http://www.mariapreta.org/2010/01/homenagem-ao-poeta-ildasio-tavares.html

Nesse vídeo ele trata do rock na Bahia:

1 de abr de 2014

NOSSOS CORAÇÕES TAMBÉM SÃO VERMELHOS...



Somos DI VERSOS, logo, em nós há luz manifesta em seus todos os seus diferentes espectros.  Nossa história de dizer poesia tem sido uma representação dessa abertura ao novo, novos e velhos parceiros, novos e variados temas etc. No penúltimo ensaio do grupo, nos demos conta que éramos mulheres e todas usávamos vermelho. Tiramos uma foto para registrar essa sincronicidade na linguagem visual. Como acreditamos que não há separação entre quaisquer homens e mulheres que sabem amar, na reunião seguinte, já em outra casa, registramos Luciano também sentado em um sofá vermelho:


Marcelo Camelo cantando 'VERMELHO':


17 de mar de 2014

ESCREVER POEMAS X FALAR POEMAS

Em, 2008, durante evento sobre Direitos Humanos, realizado na Faculdade 2 de Julho, no bairro do Garcia, houve um workshop com Elisa Lucinda, do qual várias pessoas participaram e que resultou em um recital  no seu auditório com capacidade para 500 pessoas.  Antes da apresentação de Elisa Lucinda fez sua apresentação pessoal e nos convidou a apresentarmos os poemas trabalhados durante o workshop. Antes da apresentação, dei como lembrança aos participantes da oficina de poesia falada, um folder com a primeira versão de um poema que escrevi cujo título é DE HUMANOS. Tal poema é uma homenagem a Adélia Prado, autora de outro poema de título DIREITOS HUMANOS. Trata-se de um poema bem curto e expressivo sobre a sua escrita. Há grandes diferenças entre os atos de escrever e falar poesia. Sempre considerei que há formas e mais formas de falar poemas e que essa atividade se diferencia sobremaneira daquela de escrevê-los. São muitos os casos de grandes poetas que não falam seus versos e de pessoas que os valorizam incrivelmente com seus talentos expressivos. Nem todo ator, no entanto, como alguns possam equivocadamente supor, possui esses talentos. Há vídeos de atrizes e atores em que é possível comprovar isso. Alguns valorizam a palavra escrita por seus autores, enquanto outros retiram toda a riqueza delas por falta de compreensão sobre o significado dos versos que saem de suas bocas - pontuações equivocadas, desconhecimento de palavras existentes no poema,  incapacidade de transmissão das mensagens implícitas e explícitas neles, excesso no tom de voz e nos gestos, entonações não exigidas ou deslocadas, falta de fidedignidade às palavras originais de seus autores etc. Foi tentando me conscientizar do objetivo que me movia a falar poesia que escrevi aquele diálogo fictício com a maravilhosa mineira de Divinópolis. Abaixo transcrevo ambos os poemas:

Direitos Humanos
 Adélia Prado
                        Sei que Deus mora em mim
como sua melhor casa.
Sou sua paisagem,
sua retorta alquímica
e para sua alegria
seus dois olhos.
Mas esta letra é minha.

((Oráculos de Maio, p.73.)
Fonte: http://trycar.blogspot.com.br/2010/04/direitos-humanos-adelia-prado


                    
                                                      


  






DE HUMANOS
                                  Vera Coqueiro Passos


Na verdade, Adélia, a letra pode ser tua,
mas os sentimentos também moram em mim.
Não recebi teu dom de traduzi-los em verso,
bem sei. Apenas peço a Deus a alquimia
de fazer da minha voz, olhos e mãos,
dessa efêmera casa enfim,
instrumentos de uma precisa fotografia,
da mais preciosa revelação
aos que comungam conosco essa humanidade.

7 de fev de 2014

SE EU FOSSE UM PADRE


SE EU FOSSE UM PADRE
Mário Quintana
Se eu fosse um padre eu, nos meus sermões,
não falaria em Deus nem no Pecado
— muito menos no Anjo Rebelado
e os encantos das suas seduções,
não citaria santos e profetas:
nada das suas celestiais promessas
ou das suas terríveis maldições…
Se eu fosse um padre eu citaria os poetas,
Rezaria seus versos, os mais belos,
desses que desde a infância me embalaram
e quem me dera que alguns fossem meus!
Porque a poesia purifica a alma
…e um belo poema — ainda que de Deus se aparte —
um belo poema sempre leva a Deus!


POESIA PARA TODAS AS IDADES



        Na semana de Natal, fizemos um pequeno recital para os moradores de um Asilo na Cidade Baixa. No interior da sua bela igreja, os presentes atentamente ouviram poemas de diversos autores que lembravam os sentimentos que essa data evoca. Dentre os que puderam participar desse encontro com os moradores da casa estavam, Jina Carmen, Vera Passos, Luciano Santana, Verusa Silveira e Eurídice Macedo. Como convidado, Edgar Velame além de nos prestigiar com sua companhia, recitou uma poesia. O clima foi de grande descontração e nele uma das cantoras, Eliane Fernandes, que tem nos acompanhado nos últimos recitais não pôde nos mostrar a sua linda voz, mas o músico Arnold Lobo, não só entreteve o público com voz e violão como também falou um belo poema.